Empresas pobres, patrões ricos.


Dr. Manuel Barreiro (Barreiros e Advogados)

“Existem pessoas que tem visão para o negócio mesmo sem escolaridade, julgo que depois deverão crescer e juntar-se com uma equipe multidisciplinar que os apóie; não acredito nos vãos da escada e do lápis atrás da orelha toda a vida, acredito que se possa começar assim, mas agora, com as novas tecnologias, inovar é preciso”. Dr. Manuel Barreiro Advogado.
A cada dia que vivemos, defrontamos com sucessos e insucessos; lucros ou prejuízos; alegrias ou tristezas, enfim, cada minuto é uma surpresa, que pode ser boa ou ruim. Convivemos, por incrível que pareça, com pessoas e empresários de todas as formas e modalidades, uns mais arrojados, outros inoperantes, despreparados, mas com a vontade de se tornar um verdadeiro empreendedor, empresário.
O mundo globalizado e os meios de comunicação ativos que hoje cercam toda a sociedade e negócios são essenciais para a agilidade das empresas. Justamente nesse ponto de partida, começa o maior problema que os empresários e empresas passam a enfrentar, visto que muitos não se atentam para as mudanças que devem impor no seu negócio, e muito menos as aceitam ou então procuram aceitá-las. A resistência é grande, e até feroz, travando longas discussões, mas sempre com o objetivo final da negativa.
As culturas são totalmente diferentes de pessoa para pessoa, e principalmente quando se diz respeito ao empreendedor e empresário. A falta de conhecimento, de interação e até mesmo do próprio interesse no seu negócio, principalmente quando o empresário não tem a visão de “empreender”, faz com que o seu negócio não deslanche, e nem tenha grande sucesso. É muito comum, inclusive nos dias de hoje, o empresário fazer a chamada “contabilidade de bolso”, ou seja, todo o dinheiro, faturamento, contas a receber e a pagar, ficam exclusivamente e terminantemente no seu próprio bolso; ele mesmo administra, paga e recebe; e o que sobra gasta como bem quer, uma vez que não tem que dar satisfação a outrem.



Não é assim que se administra o negócio, tem que se pensar totalmente diferente, pois são “pessoas” diferentes, tanto que a nomenclatura jurídica já assim o define: “pessoa jurídica” é a empresa, que tem que ter vida própria e independente, gerar negócios e resultados; e, “pessoa física” é a pessoa civil que tem vida, ação, que tem seus aspectos sociais e morais. Portanto é nítida a diferença entre uma e outra, mas é muito comum ainda, nos dias de hoje, essas “pessoas” se misturarem no dia a dia. Surge o grande problema, pois quando não há uma diferença de tratamento ou distinção entre as “pessoas”, mistura-se tudo, e então o empresário/empreendedor vira o chamado “dono de negócio” passando a colocar tudo no seu bolso, misturando tudo, usufruindo como efetivamente tudo fosse seu, e não se preocupando com o seu negócio.
Podemos dizer que essas “pessoas” são a que chamamos de “brincar de ser empresário”, pois não tem um planejamento, um critério, uma organização e uma diferenciação entre ambas; mistura tudo no mesmo bolso, levando à empresa a “banca rota”, mas, em contrapartida a sua vida pessoal está acima de tudo, sorridente, feliz, gastando em “mordomias”, mantendo luxos ou supérfluos. Tiram da empresa todos os seus ganhos, fazendo com que a mesma nunca saia do mesmo lugar, trazendo-a sempre sem recursos para alavancar, esquecendo-se que não se pode “queimar a galinha de ovos de ouro”, que, pelo contrário, deve ser sempre bem cuidada e tratada, para que a mesma sempre possa oferecer-lhe os melhores resultados; nunca deve ser ao contrário, pois caso o seja, estaremos evidenciando o título desta matéria “empresas pobres, patrões ricos”.
Dr. Manuel Barreiro - Advogado com especialização Tributárial
Barreiros Advogados e Consultores
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